Reflexões médicas e psicanalíticas sobre um caso de enxaqueca
Se é verdade que na medicina a clínica é soberana, como me disse outrora um estimado professor, sua afirmação parece também se aplicar muito bem à psicanálise. É sempre a partir da clínica que se constroem as boas teorias nesses campos de atenção ao humano. E de nada valeriam as teorias se não houvesse o fazer clínico para aplicá-las. Assim sendo, posto que o presente trabalho se propõe a articular medicina e psicanálise, nada melhor do que ilustrá-lo com uma vinheta clínica. Trata-se de uma mulher de 20 e poucos anos, que buscou comigo consulta médica para se queixar de crises recorrentes de enxaqueca, tendo realizado anteriormente inúmeros atendimentos com outros colegas em função da mesma situação. Segundo ela, o problema começou ainda na infância, todavia piorou a partir dos seus 16 anos de idade, quando as dores de cabeça tornaram-se mais frequentes e eventualmente incapacitantes, a ponto de lhe causarem faltas no trabalho e de necessitar atendimentos de urgência para ser medicada...