A psicanálise não é uma resposta, é uma pergunta que se sustenta
Muitas pessoas buscam na internet, na medicina ou na psicologia soluções rápidas e mágicas para seus problemas. Não por acaso, vivemos na era dos excessos de respostas prontas, protocolos e diagnósticos de prateleira. Na contramão da cultura do coach e dos rótulos, tão presentes em nosso tempo, o psicanalista não deve ocupar o lugar daquele que fornece respostas ao seu paciente. Ao contrário, sua posição consiste em sustentar um espaço em que o sujeito possa produzir o saber inconsciente que é somente dele. Afinal, a psicanálise parte da suposição de que há um saber em jogo e, ainda que tal saber não seja dado a priori, ele será descortinado no percurso analítico, abrindo caminho para a novidade na vida do analisante. Do ponto de vista psicanalítico, portanto, a cura não vem pela resposta que o outro dá, mas sim pela capacidade de a pessoa passar a sustentar as próprias perguntas e a implicar-se nos próprios desejos. Bruno Guimarães Tannus psicanalista e médico especialista em Medicin...