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Transtorno obsessivo-compulsivo: o que é e como tratar

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O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um diagnóstico psiquiátrico, mas certamente uma condição bastante prevalente tanto nos consultórios de psicanalistas quanto de médicos. Afinal, como lidar com isso? Quais possibilidades de abordagem são mais apropriadas para trata-lo? Inicialmente, vale delimitar o TOC como um problema relacionado à saúde mental. Nesta área, praticamente todos os diagnósticos se fazem sem exames complementares (por exemplo, testes de laboratório ou exames de imagem), porque dependem, essencialmente, do discurso do(a) paciente. Chega-se ao diagnóstico, pois, através da clínica, basicamente com a entrevista que acontece entre o médico e a pessoa que afirma sofrer de obsessões e compulsões. A propósito, enquanto as obsessões são pensamentos ou imagens que insistem em vir à mente, mesmo que a contragosto da pessoa, causando-lhe angústia, as compulsões são comportamentos ou atos repetitivos que ela se sente obrigada a realizar justamente para reduzir a ansiedade ger...

Como controlar a ansiedade?

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É comum pacientes me consultarem com essa pergunta. Enquanto médico, digo-lhes que atualmente existem muitas opções de medicamentos cujo propósito é justamente "controlar a ansiedade", alguns mais eficazes, outros menos. Todavia, é inevitável que o psicanalista que também habita em mim lhes proponha a seguinte ideia: será que a melhor maneira de "controlar" a ansiedade não seria exatamente controlá-la, mas sim compreendê-la? Claro, especialmente em situações agudas, alguns recursos para "controlar" a ansiedade, por exemplo o uso de medicações ansiolíticas, técnicas cognitivo-comportamentais e alguns exercícios físicos, podem ser bastante válidos, mas eles não mudarão a relação da pessoa com seus sintomas ansiosos, apenas vão camuflá-los ou suprimi-los por algum tempo, ou mesmo deslocá-los. Se nossa intenção é uma abordagem mais profunda, faz-se necessário olhar com cuidado para tais sintomas, falar sobre as situações em que eles acontecem, entender as circ...

Fascismo e comunismo: extremismos em perspectiva histórica e psicanalítica

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Se você é alguém que chama de fascista qualquer pessoa no espectro político da direita ou que nomeia de comunista qualquer um que tenha ideias mais alinhadas com as correntes políticas de esquerda, convido-lhe a prosseguir com a leitura desta reflexão, que talvez possa lhe ampliar os horizontes, mostrando outra forma de lidar com posicionamentos políticos. O texto também é um convite a você que simplesmente deseja se aprofundar um pouco mais nesse tema e ter novas percepções sobre nosso mundo polarizado. Atualmente as palavras “fascismo” e “comunismo” estão bastante desgastadas e utilizadas em contextos inapropriados. A primeira é equivocadamente associada a “extremistas de direita”, enquanto a segunda, também de modo equivocado, a qualquer um que se afeiçoe a ideias mais à esquerda no pensamento político. Ao propor situar tais palavras numa perspectiva histórica, vamos buscar primeiro contextualizar fatos. E, num segundo momento, pensar esses fatos sob a ótica da Psicanálise. Inicialm...

Honrar pai e mãe?

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Mãe, Pai e Bebê - Lovetta Reyes Uma colega psicanalista recentemente publicou nas redes sociais a ideia de que "honrar pai e mãe" seria uma "lógica cristã" com impactos negativos na vida de filhos que crescem em lares violentos e abusivos. Esses filhos, além de medo, poderiam se sentir culpados em se afastar da família. De fato, o argumento que ela utilizou para questionar o mandamento bíblico tem lógica e alguma consistência no contexto de famílias violentas. No entanto, precisamos colocar a citação na perspectiva adequada e, levando em conta que nossa proposta é pensar psicanaliticamente, façamos também uma reflexão neste sentido sobre o tema. Primeiro, o mandamento de honrar pai e mãe não é exatamente uma “lógica cristã”, pois se encontra na Torá, texto central do judaísmo (claro, Jesus também era judeu, mas muita gente nem sabe disso). Segundo, não é prudente ler o trecho fora do contexto em que está inserido nas sagradas escrituras, onde se lê: Honre o seu pai...

Por que a psicanálise é diferente das psicoterapias?

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Arte na capa do Seminário 6 de Jacques Lacan Ouço eventualmente alguns ruídos entre psicanalistas, burburinhos vindos de colegas que questionam a ideia de apresentarmos a psicanálise como um tratamento. No entanto, logo nas primeiras afirmações de Jacques Lacan durante seu sexto seminário, cujo tema é “o desejo e sua interpretação”, encontramos uma referência muito explícita à psicanálise como tal. Ele diz que uma análise [...] é um tratamento, um tratamento psíquico , o qual incide sobre vários níveis do psiquismo . Podemos apontar, por outro lado, uma nítida diferença entre a psicanálise e outras abordagens terapêuticas do psíquico. Vejamos a seguir. Na sequência dos dizeres de Lacan no mesmo seminário, ele ressalta o fato de que a psicanálise é um tratamento modificador de estruturas . Outras abordagens do psíquico, por sua vez, são intervenções, digamos em grande parte, que priorizam atenção direta aos aspectos comportamentais do indivíduo, ou seja, nelas o objetivo principal é te...

O xadrez e a psicanálise

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"Os jogadores de xadrez", de Honoré Daumier Não faz muito tempo que minha filha e eu aprendemos juntos a jogar xadrez, mas ele já se tornou um dos nossos programas preferidos. E nestes dias tenho pensado sobre algumas analogias interessantes entre esse jogo e a psicanálise. Vejamos. Tanto no xadrez quanto na análise há formas pré-definidas para começarmos, respectivamente, o jogo e a sessão, no entanto em ambos os casos não podemos antever como será o final. As peças no tabuleiro de xadrez têm posições iniciais fixas, reconhecidas por qualquer jogador, no mundo todo. Uma sessão de psicanálise, independente da corrente psicanalítica com a qual se trabalhe, também tem um início comum, que é quando o analista solicita ao paciente que este fale, sem censuras, sobre aquilo que lhe vier de modo espontâneo à mente. O transcorrer de uma partida de xadrez dependerá dos movimentos escolhidos pelos jogadores a cada jogada, com incontáveis possibilidades, que aumentam com o avançar das p...

Daredevil e O Mal-Estar na Cultura

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Que relação pode haver entre o temerário vigilante e o colosso texto freudiano? Matthew Murdock, que tem o Daredevil como alter ego, é para mim um dos personagens mais interessantes nos quadrinhos da Marvel. Não tanto por suas características ficcionais, mas pelo dilema que o persegue: dominar o mau ou deixá-lo sair? Católico confesso, Matt se diz temente a Deus e leva uma vida aparentemente de acordo com sua crença. Cidadão exemplar e honesto, trabalha como advogado defensor de gente inocente e de poucos recursos, geralmente atuando contra pessoas influentes e poderosas. No entanto, diante da face decadente, sombria, corrupta e criminosa da grande cidade em que vive, onde muitas vezes a justiça legalmente constituída tem pouca ou nenhuma chance de cumprir seu papel, ele substitui o terno de advogado por um traje de demônio, autorizando-se a usar de violência e a fazer justiça com as próprias mãos, enveredando-se por caminhos que seu lado civilizado certamente não o permitiria trilhar....