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Mostrando postagens de julho, 2026

O poço da tarja preta

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“Poço da tarja preta” é a expressão que um paciente utilizou para descrever a situação em que se encontrava, tomando psicofármacos de quatro classes diferentes – a rigor, apenas dois de tarja preta –, algo que o angustiava e o fazia se perguntar: seria correta aquela prescrição médica? Segundo ele contou, tem diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada (o famoso "TAG"). Faz tratamento há 5 meses com 150 mg de desvenlafaxina pela manhã. À noite, toma 10 gotas de clonazepam (Rivotril) e um comprimido de quetiapina, “para poder dormir bem”. Todavia, algum tempo depois de iniciar o consumo dessas medicações, começou a apresentar falhas de memórias e, ao relatar isso ao médico que o acompanhava anteriormente, o colega teria adicionado metilfenidato (Ritalina) àquela já extensa prescrição de psicofármacos. O paciente, com razão, informou ao profissional que estava preocupado em tomar “tantos remédios”, mas o médico advertiu-lhe que “era necessário”. Questionando se tal cond...

A psicanálise não é uma resposta, é uma pergunta que se sustenta

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Muitas pessoas buscam na internet, na medicina ou na psicologia soluções rápidas e mágicas para seus problemas. Não por acaso, vivemos na era dos excessos de respostas prontas, protocolos e diagnósticos de prateleira. Na contramão da cultura do coach e dos rótulos, tão presentes em nosso tempo, o psicanalista não deve ocupar o lugar daquele que fornece respostas ao seu paciente. Ao contrário, sua posição consiste em sustentar um espaço em que o sujeito possa produzir o saber inconsciente que é somente dele. Afinal, a psicanálise parte da suposição de que há um saber em jogo e, ainda que tal saber não seja dado a priori, ele será descortinado no percurso analítico, abrindo caminho para a novidade na vida do analisante. Do ponto de vista psicanalítico, portanto, a cura não vem pela resposta que o outro dá, mas sim pela capacidade de a pessoa passar a sustentar as próprias perguntas e a implicar-se nos próprios desejos. Bruno Guimarães Tannus psicanalista e médico especialista em Medicin...

O não pode ser sim na psicanálise

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A negação é uma forma de tomar conhecimento do que foi reprimido, já é mesmo um levantamento da repressão, mas não, certamente, uma aceitação do reprimido. Nisso vemos como a função intelectual se separa do processo afetivo.  Assim afirmou Sigmund Freud em seu importante texto intitulado "A negação", publicado no longínquo ano de 1925, mas ainda impressionantemente atual. Essa obra revela um fenômeno que observamos frequentemente durante uma psicanálise: o sujeito inicia uma frase negando algo; todavia, o significado inconsciente disso que ele nega é exatamente o oposto. Diz, por exemplo, que tal coisa "não tem nada a ver com a mãe", mas, ao mencionar a genitora, já está, justamente, colocando-a na mesma sentença que a coisa. Ao conduzir uma análise, porém, o psicanalista deve ter cautela para não incorrer em selvagerias com seu analisante, pois, como bem frisou Freud no texto em pauta, o fato de o reprimido ter aflorado em determinada sentença negativa não signific...