O não pode ser sim na psicanálise
Essa obra revela um fenômeno que observamos frequentemente durante uma psicanálise: o sujeito inicia uma frase negando algo; todavia, o significado inconsciente disso que ele nega é exatamente o oposto. Diz, por exemplo, que tal coisa "não tem nada a ver com a mãe", mas, ao mencionar a genitora, já está, justamente, colocando-a na mesma sentença que a coisa.
Ao conduzir uma análise, porém, o psicanalista deve ter cautela para não incorrer em selvagerias com seu analisante, pois, como bem frisou Freud no texto em pauta, o fato de o reprimido ter aflorado em determinada sentença negativa não significa que tenha sido necessariamente aceito — introjetado como verdade — pelo paciente.
Esse cuidado do psicanalista, de não deixar de pontuar a negação, mas ao mesmo tempo de não interpretá-la forçosamente, favorecerá que o sujeito em análise se mantenha no processo para, em momento oportuno, aceitar o conteúdo psíquico que outrora reprimiu. Conforme também ressaltou Freud nesse escrito, as questões afetivas estão, via de regra, apartadas da razão.
Bruno Guimarães Tannus
psicanalista e médico especialista em Medicina de Família
CRM-PR 25429 / RQE 35797
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[acesso em 08 jul 2026]

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