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A família como um sistema determinante de saúde

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Família. Uma palavra pequena que pode nos remeter a diversos sentimentos. Um conjunto de pessoas que, funcionando como um sistema altamente complexo, exerce forte influência sobre a saúde dos indivíduos que o compõe, de maneira positiva ou negativa. Em alusão ao Dia Internacional da Família, celebrado no dia 15 de maio, proponho hoje uma reflexão para mergulharmos, ainda que superficialmente, nas particularidades do sistema familiar e sua importância para a saúde dos seres humanos. Para começar, vale dizer que uma das definições antropológicas de família a toma como um grupo de pessoas com grande intimidade entre si, que possuem uma história e planejam um futuro juntas. Ao usarmos esta definição, geralmente estaremos falando da unidade familiar ou família nuclear, com seus componentes residindo, habitualmente, em um mesmo local. Percebemos, assumindo tal ideia de família, que não há necessidade da existência de parentesco biológico para que indivíduos sejam considerados membros d...

Câncer de próstata: doença ou invenção?

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Quando se fala sobre saúde do homem, em especial no quesito prevenção, uma das primeiras doenças que lembramos é o câncer de próstata. Isto não é uma surpresa, pois campanhas nacionais como o “Novembro Azul” têm massificado, com um estrondoso sucesso, a ideia de que o rastreamento dessa doença é algo importante para todas as pessoas do sexo masculino após certa idade. Refiro-me ao grande sucesso da ideia porque, recebendo diversos pacientes no consultório para realização de avaliações preventivas, incluindo rastreamento de doenças, percebo que é regra, não exceção, a preocupação dos homens em relação ao câncer de próstata. Será mesmo que há fundamento para tanta preocupação? Inicialmente, é importante entendermos que rastrear uma doença significa tentar diagnosticá-la antes que ela provoque sintomas no indivíduo que se submete ao rastreamento. Rastrear uma doença, portanto, não significa impedir sua ocorrência. Se uma pessoa já apresenta sintomas, o processo de busca do diagnóst...

De onde vêm as convulsões?

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Recentemente, a RBS TV, filial da Rede Globo em Santa Catarina, exibiu uma matéria mostrando uma mulher jovem com diagnóstico de epilepsia. Ela teria obtido na justiça, em primeira instância, o direito de receber do Estado o “tratamento” com canabidiol para sua doença. A reportagem foi algo tendenciosa em celebrar a decisão judicial favorável à mulher. Entretanto, há incongruências bastante relevantes nesta decisão, bem como um certo reducionismo em torno do tratamento da epilepsia. Vejamos por quê. A primeira inadequação sobre obrigar o Estado a custear a prescrição do canabidiol, um derivado da Cannabis sativa , famosa maconha, reside no fato de que, segundo o UpToDate® ( www.uptodate.com ), respeitadíssimo sítio de informações médicas baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis atualmente, não há dados de ensaios clínicos controlados que indiquem a existência de eficácia dos canabidinoides no tratamento das epilepsias, menos ainda da erva in natura . Como se não...

Espiritualidade, saúde e doença

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Fui desafiado por um amigo a escrever sobre a influência que o relacionamento com Deus exerce sobre nossa saúde. E que desafio! A exclamação não é por conta de ser difícil para eu compreender a relação mencionada, pois ela é muito clara para mim. No entanto, somente seria fácil explica-la às outras pessoas se eu partisse de minha fé pessoal como premissa também verdadeira para os demais. E imagino que para muitos de vocês, amigos leitores, a espiritualidade tenha outros enfoques. O desafio, portanto, é conseguir demonstrar os benefícios da caminhada com Deus para a saúde daqueles que ainda não o encontraram ou que o entendem de formas diversas da minha. Para começar esta conversa, é interessante, em particular aos que se dizem ateus ou agnósticos, mencionar que a ciência tem produzido provas, em diversos estudos recentes, de que a espiritualidade influencia positivamente a saúde das pessoas, seja sob a ótica física, seja sob a ótica psíquica. Esses trabalhos científicos ent...

O grito da pele

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Uma jovem de 14 anos de idade, ansiando eliminar suas espinhas faciais, procurou ajuda de um médico. Queixando-se das lesões de pele ao médico, este, sem demonstrar interesse em conhecer as características biológicas, sociais ou psíquicas da adolescente que ali estava, prescreveu-lhe espironolactona 25 mg/dia como tratamento único (e provavelmente milagroso!) para o problema de pele mencionado. Esse colega protagonizou um exemplo clássico de iatrogenia, nome que se dá a toda conduta médica que, além de não ajudar, pode causar dano ao paciente. Sabe-se que a espironolactona é um medicamento da classe dos diuréticos poupadores de potássio, cuja aplicabilidade clínica principal está no tratamento da insuficiência cardíaca. Apesar de a espironolactona ter algum efeito antiandrogênico e, desta forma, poder ser considerada como adjuvante no tratamento da acne, nesta condição clínica não há recomendação de seu uso em monoterapia. Além disto, um dos possíveis efeitos adversos desse diur...

O homem que sobreviveu ao câncer

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A história que se segue é real, por isso os nomes dos personagens foram omitidos, em consideração ao sigilo médico. Eles serão chamados por seus postos, pois ambos são militares: o Capitão e o Tenente. Certa vez o Capitão consultou-se com o Tenente médico por estar sofrendo de dores abdominais intensas. O Tenente prontamente prescreveu analgésicos, visando o conforto momentâneo de seu paciente, e buscou, através da história clínica e do exame físico, determinar a possível causa para aquelas dores. O Capitão contou que, em diversas outras ocasiões, apresentara crises de cólicas como as sentidas naquele dia, sendo já conhecido o fato de ter calculose das vias urinárias. O Tenente, levando em consideração esse relato, e averiguando uma semiologia compatível, diagnosticou que aquela era provavelmente uma nova crise de dor por deslocamento de cálculo. Sua hipótese diagnóstica se confirmou através de uma tomografia computadorizada do abdome, a qual mostrava um cálculo, pouco maior qu...

A nova velha Medicina de Família

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Nas últimas décadas assistimos a uma evolução tecnológica sem precedentes na história da humanidade. Esses avanços tecnológicos também ocorreram no campo da medicina, possibilitando hoje a existência de exames complementares, diagnósticos, procedimentos e tratamentos incríveis. Tanto progresso fez com que as especialidades médicas focais expandissem enormemente seus conhecimentos sobre órgãos, tecidos, células, enfim, partes do corpo humano em geral. Isto é de grande valia, contudo, por outro lado, pode ser perigoso, pois muitas vezes a pessoa que procura por atendimento médico é atendida de maneira extremamente fragmentada. E assim também pode se tornar a sua saúde: despedaçada. Para evitar essa excessiva fragmentação, um antigo tipo de médico está voltando a ganhar importância e sendo valorizado como especialista fundamental no gerenciamento dos cuidados à saúde das pessoas: o Médico de Família. A Medicina de Família, que também pode ser chamada Medicina de ...