Uma breve resenha psicanalítica sobre "O Homem Imortal"


Estreou no último final de semana "O Homem Imortal", filme que encerra a antológica série Peaky Blinders, que tem a família Shelby como protagonista. Se você ainda não viu, fique tranquilo/a quanto à possibilidade de spoliers neste post, pois eles não acontecerão.

Minha intenção aqui, de forma muito breve, é compartilhar uma interessante relação que percebi entre o enredo do filme e o tema de um excelente livro, cuja leitura finalizei no mesmo dia em que me despedi dos Shelby. Refiro-me ao livro "O complexo de Telêmaco", do psicanalista italiano Massimo Recalcati.

O filme é marcado pelo embate entre Tommy Shelby e seu filho primogênito ilegítimo, Erasmus "Duke" Shelby. Trata-se de um embate sobre herança, mas não aquela herança do senso comum. Nas palavras de Recalcati, "a herança é o efeito de uma reconquista do que foi, é o produto de uma escolha, de uma assunção subjetiva de toda a nossa história, que é, acima de tudo, a história do Outro. [...] A herança é, acima de tudo, uma decisão do sujeito, um movimento de reconquista que se lança pra frente".

Duke havia herdado coisas materiais e negócios de Tommy, porém não era desse tipo de herança que o filho precisava para se tornar um homem de valor, para não se sentir abandonado. Era necessário um testemunho do pai. E o filme é sobre isso, sobre a força do testemunho que "se irrompe lá onde menos se espera".

Bruno Guimarães Tannus
psicanalista e médico especialista em Medicina de Família
CRM-PR 25429 / RQE 35797



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