Postagens

Fibromialgia: que dor é essa?

Imagem
A fibromialgia é uma afecção musculoesquelética que cursa com dores crônicas não articulares nos chamados tender points , cujas localizações anatômicas específicas estão apresentadas numa figura mais abaixo nesta postagem. Esse problema tem sido um grande desafio à compreensão da medicina tradicional, porque não há dúvidas de que os pacientes fibromiálgicos sofrem muito, todavia não se encontra uma explicação fisiopatológica muito plausível para sua condição segundo o modelo biomédico cartesiano, modelo este ainda predominante nos cursos tradicionais de medicina. Visando aplacar os sintomas da fibromialgia, o tratamento médico convencional vem testando diversos medicamentos. A bola da vez parece ser o antidepressivo duloxetina, entretanto, nem a duloxetina nem qualquer outra medicação é garantia de que os sintomas dolorosos sejam aliviados, quiçá definitivamente suprimidos, em situações como a fibromialgia. Uma pena que poucos médicos dão-se conta disso, pois é justamente essa ig...

A bela morte

Imagem
Algo. Alguma coisa. Something . Era o que estava escrito na camiseta com que presenteei meu avô na última noite de Natal. Ele a vestia quando deu seu derradeiro suspiro neste mundo, no final da tarde de 25 de dezembro. Algo grande significava esse homem, não apenas para mim, mas para toda família e amigos. Alguma coisa quase indizível ele possuía como virtude, uma virtude que não tenho. Era um homem que sabia agregar pessoas à sua volta. E que se regozijava com isso. Vô Amilson gostava de estudar inglês, no entanto nunca quis viajar para um país em que pudesse ouvir e falar esse idioma. Talvez porque seu desejo de viajar somente fazia sentido para si quando ele podia levar junto quem amava. Era muita gente. Suas casas de descanso, seja na fazenda ou na praia, viviam cheias. Cheias de amor, de vidas, de vida. Foi avô, foi pai, foi tio, esposo a seu modo. Recentemente também bisavô. Foi médico e professor. Até empregador, e nesta condição admirado pelos funcionários por sua generos...

A ilusão dos “check ups” em medicina

Imagem
À margem de seres humanos mais ou menos equilibrados, há dois tipos de pessoas com comportamentos antagônicos em relação à saúde preventiva: em um dos extremos, indivíduos cujo comportamento é destrutivo, aqueles que pensam pouco ou quase nada acerca dos cuidados com a própria saúde; na outra ponta, pessoas excessivamente preocupadas com prevenção, aquelas que vivem a “buscar saúde”, e que por isto mesmo deixam de tê-la ou de desfruta-la. É sobre o comportamento desse último grupo que pretendo falar neste texto; trata-se de uma atitude que se pretende saudável, mas que se revela doentia quando cuidadosamente analisada. Refiro-me a algo mais corriqueiro do que a hipocondria, embora possamos apontar diversas semelhanças entre a preocupação excessiva com a saúde e o medo infundado de se estar gravemente doente. Em ambos os casos, os sujeitos almejam ter certeza de que estão bem de saúde. Para cumprir esse objetivo, nos dias atuais, frequentemente o grupo dos preocupados vai ao médic...

Quando amamentar pode ser ruim

Imagem
Diversas instituições atentas à saúde infantil recomendam que as crianças sejam amamentadas no seio materno até os 2 anos de idade, incluindo o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), sociedades de pediatria e ministérios da saúde. Os benefícios da oferta de leite materno no peito são inequívocos do ponto de vista nutricional, imunológico e afetivo. No entanto, há questões de afeto na interação mãe-bebê que podem não se configurar tão boas assim. É justamente sobre um desses casos de afeto desvirtuado na amamentação que o presente texto pretende falar. Antes de prosseguir, contudo, como se trata de um tema que pode suscitar polêmicas ou mal entendidos, devo ressaltar novamente a importância do ato de amamentar no seio, já frisada no primeiro parágrafo, e deixar claro que nós, homens, jamais teremos experiência em amamentação de bebês como pode ter uma mãe que amamenta ou amamentou. Registradas essas ponderações, analisemos o caso real a seguir. A mãe chegou ao co...

Testosterona, Viagra... Onde está o homem impotente?

Imagem
Quando um homem se sente impotente, de fato, ele se sente. A impotência sexual é um estado do psiquismo, muito antes de ocasionar qualquer alteração hormonal, a qual, afinal, nem sempre acontece. Claro, em alguns casos a referida condição psíquica pode cursar também com deficiência da testosterona, reconhecida por muitos como o hormônio masculino responsável pela potência sexual. Embora a deficiência de testosterona sérica não seja causa necessária nem suficiente para que um homem tenha dificuldade de ereção, essa associação entre o hormônio e a potência está algo impregnada no imaginário coletivo, levando diversas pessoas que sofrem de disfunção sexual a creditarem ao tratamento hormonal a solução para seus problemas. Todavia, não costuma ser a testosterona tratamento pra muita coisa. A bula da testosterona é muito clara quanto à sua indicação apenas no tratamento de reposição hormonal em homens portadores de condições associadas com hipogonadismo primário e secundário, tanto congên...

Antidepressivos, por que os querem tanto?

Imagem
Os antidepressivos são psicofármacos úteis em determinados contextos clínicos, entretanto não há como negar que eles têm sido excessivamente prescritos. De quem é a responsabilidade pelo crescente número de prescrições de tais drogas, observado nos últimos anos? Dos médicos? Da indústria farmacêutica? Dos próprios pacientes, sentindo-se incapazes de lidar com suas emoções e querendo uma fuga rápida e artificial de seus problemas? Provavelmente os responsáveis são todos os citados, cada um com sua parcela de “contribuição”. Boa parte dos médicos que clinica tem dificuldade em ouvir seus pacientes. Certa vez demonstrou-se que, durante uma consulta médica, era de apenas 18 segundos o tempo médio para que o profissional fizesse a primeira interrupção na fala do paciente que começava a discorrer sobre suas queixas. Nem os médicos cirurgiões, com o devido respeito aos colegas, deveriam ser tão precipitados nessa interrupção. A impaciência de muitos médicos frente a seus pacientes, som...

Hipertrofia de adenoides: uma defesa exagerada

Imagem
Um menino de 4 anos de idade se apresenta com respiração bucal predominante. Os pais observam que ele ronca muito e dorme com a boca aberta, algo que favorece infecções de repetição nas vias aéreas. Preocupados, vão à procura de ajuda médica e logo na segunda consulta, frente ao resultado de uma radiografia do cavum do filho, lhes é sugerida a adenoidectomia (retirada cirúrgica das adenoides) como promessa de solução para os problemas apresentados. Será mesmo? Avaliar e tratar uma criança com as características descritas acima por certo não é uma tarefa tão simples como muitos pais e médicos gostariam. Implica investigar o desenvolvimento neuropsicomotor e também o contexto familiar no qual o paciente está inserido, pois dificuldades dos pais sempre reverberam sobre os sintomas de seus filhos. Não raro a adenoidectomia configura-se uma mutilação desnecessária, pois seus benefícios são bastante questionáveis, embora muitos otorrinolaringologistas provavelmente se apressem em dizer o c...