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O homem que sobreviveu ao câncer

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A história que se segue é real, por isso os nomes dos personagens foram omitidos, em consideração ao sigilo médico. Eles serão chamados por seus postos, pois ambos são militares: o Capitão e o Tenente. Certa vez o Capitão consultou-se com o Tenente médico por estar sofrendo de dores abdominais intensas. O Tenente prontamente prescreveu analgésicos, visando o conforto momentâneo de seu paciente, e buscou, através da história clínica e do exame físico, determinar a possível causa para aquelas dores. O Capitão contou que, em diversas outras ocasiões, apresentara crises de cólicas como as sentidas naquele dia, sendo já conhecido o fato de ter calculose das vias urinárias. O Tenente, levando em consideração esse relato, e averiguando uma semiologia compatível, diagnosticou que aquela era provavelmente uma nova crise de dor por deslocamento de cálculo. Sua hipótese diagnóstica se confirmou através de uma tomografia computadorizada do abdome, a qual mostrava um cálculo, pouco maior qu...

A nova velha Medicina de Família

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Nas últimas décadas assistimos a uma evolução tecnológica sem precedentes na história da humanidade. Esses avanços tecnológicos também ocorreram no campo da medicina, possibilitando hoje a existência de exames complementares, diagnósticos, procedimentos e tratamentos incríveis. Tanto progresso fez com que as especialidades médicas focais expandissem enormemente seus conhecimentos sobre órgãos, tecidos, células, enfim, partes do corpo humano em geral. Isto é de grande valia, contudo, por outro lado, pode ser perigoso, pois muitas vezes a pessoa que procura por atendimento médico é atendida de maneira extremamente fragmentada. E assim também pode se tornar a sua saúde: despedaçada. Para evitar essa excessiva fragmentação, um antigo tipo de médico está voltando a ganhar importância e sendo valorizado como especialista fundamental no gerenciamento dos cuidados à saúde das pessoas: o Médico de Família. A Medicina de Família, que também pode ser chamada Medicina de ...

Sobre o dia em que seremos saudáveis

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É costumeiro começarmos um novo ano desejando ou recebendo votos de "muita saúde". Isto também é bastante corriqueiro na celebração de datas natalícias. Quase sempre, no entanto, não nos damos conta do que seja aquilo que nominamos por saúde. Verdade seja dita, sequer paramos para pensar que saúde não é algo mensurável, de outro modo não desejaríamos a ninguém "muita" saúde. Se nos propomos aqui a falar sobre saúde, cabe tentarmos chegar a um consenso sobre o que ela de fato significa. Se usarmos o senso comum, seremos rápidos em dizer que estamos saudáveis quando, simplesmente, não estamos doentes. Contudo, isto não seria uma definição do termo saúde, seria apenas a apresentação de seu antagônico. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS), em sua conhecida definição, afirmou, ainda em meados do século XX, que saúde não é a mera ausência de doença. Segundo a OMS, saúde seria "o mais completo estado de bem estar físico, psíquico e social". ...

Vamos começar...

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Caros leitores, Antes de falar qualquer coisa sobre medicina centrada na pessoa, psicanálise ou psicossomática, acredito ser prudente lembrá-los que a imparcialidade na escrita é uma ilusão. Nada do que é escrito, ainda que o escritor busque ser imparcial, pode ficar totalmente livre de suas impressões pessoais. Nem mesmo notícias, que teoricamente relatam apenas fatos, conseguem desprender-se por completo das concepções de quem noticia, pois a simples escolha em falar sobre este ou aquele acontecimento já está impregnada por alguma intenção, às vezes de maneira velada. Portanto, é certo que as leituras encontradas no blog de um Bruno estarão atravessadas pela visão pessoal de mundo deste Bruno que vos fala, sujeito singular, diferente de qualquer um dos milhares de outros Brunos no mundo. Sendo assim, começarei afirmando que, enquanto médico e psicanalista, entendo que o real do corpo é atravessado pela linguagem, então não há biologia pura e simples, pré-determinada, qu...