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Medicina centrada na pessoa e suas bases na Psicossomática

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Na prática da medicina pós-moderna, muitos continuam a se lançar numa abordagem reducionista, valorizando sobremaneira os aspectos biológicos do processo saúde-doença. Outros, no entanto, já perceberam que para a maioria das situações clínicas com as quais o médico se depara em seu cotidiano, especialmente nos serviços de saúde primários, faz-se necessária uma abordagem que integre a subjetividade dos pacientes ao tratamento. Visando tal abordagem integrativa, a ideia de uma medicina centrada na pessoa veio de Michael Balint e estruturou-se a partir de conceitos psicanalíticos e dos pilares da Medicina Psicossomática. Na esteira de Balint, o médico de família canadense Ian McWhinney e alguns de seus colegas desenvolveram o método clínico centrado na pessoa, ampliando o alcance da escuta qualificada dos psicanalistas para consultas de clínicos gerais e, consequentemente, melhorando habilidades de comunicação. A proposta da aula disponível no vídeo a seguir não é apenas apresentar esse m...

Vamos falar d'Isso - um retorno a Groddeck

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Falar do Isso é falar disso que nos afeta enquanto seres humanos, os únicos viventes atravessados pela linguagem. Se na obra freudiana podemos encontrar o Isso (Id, em traduções mais antigas) na segunda tópica, como o reservatório das pulsões no qual está mergulhada a parte inconsciente de nosso Eu, em Groddeck, criador do termo, o Isso é anunciado como uma força pela qual somos vividos, enquanto nós acreditamos viver . O Isso não apenas nos impulsiona em direção ao desejo, mas também é fonte de mal estar quando estamos em desacordo com ele. Daí advém sintomas, doenças, passagens ao ato e repetições, entre outras manifestações da vida pulsional cerceada, o que leva as pessoas geralmente a procurarem médicos e outros profissionais de saúde, que muitas vezes não sabem ao certo que estão lidando com Isso. Trabalhos recentes no meio científico têm procurado resgatar as ideias de Georg Groddeck, particularmente a noção d’Isso segundo o autor. Quais suas implicações para a clínica contemporâ...

O que faz um psicanalista?

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Falar sobre a formação de um psicanalista, partindo das especificidades da Psicanálise, passa certamente pelas características marcantes do tripé dessa formação, a saber, análise pessoal, supervisão e transmissão (ensino). Todavia, considerando que o tema já foi abordado neste blog , assim como tem sido, felizmente, debatido com bastante frequência pelos mais diversos psicanalistas e instituições dedicados a uma formação psicanalítica responsável, devidamente implicada e atravessada pelos princípios freudianos, minha ideia no presente artigo, ao buscar respostas para a pergunta com a qual o intitulei, é trabalhar sobre um aspecto da formação que habitualmente fica em suas entrelinhas.  O que faz, afinal, um psicanalista? De início, constatamos que há duas leituras possíveis para nossa pergunta: uma leitura mais óbvia, que trataria diretamente do ofício do psicanalista, ou seja, do que ele faz em sua prática, de como ele atua, e outra leitura, na qual pretendo me aprofundar aqui, qu...

Mitos e verdades sobre a terapia psicanalítica

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Muitas pessoas têm dúvidas e desconfianças relacionadas à psicanálise, algumas vezes simplesmente por medo de algo que desconhecem, noutras em consequência de depoimentos falaciosos sobre esse tipo de abordagem, geralmente proferidos por quem nunca viveu a experiência. Minha proposta no presente artigo é esclarecer pontos importantes relativos à terapia psicanalítica, utilizando uma linguagem fácil, pensando também em acessar quem é leigo ou iniciante no assunto. Ao terminar sua leitura, fique à vontade para usar o espaço dos comentários e me contar se consegui atingir o objetivo. Vamos começar pelo título escolhido, que traz propositalmente uma pequena polêmica: a psicanálise é ou não é um tipo de terapia? Em diversos de seus escritos, Freud disse que sim. Considerando que foi ele quem criou a psicanálise, penso que não seja necessário nos debruçarmos tanto sobre essa questão. Respeito os colegas que preferem dizer que a psicanálise é outra coisa (práxis, método, técnica, processo, ex...

Um nome para a dor: fibromialgia

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Há bastante tempo a Medicina se depara com o desafio de enfermidades que afetam o corpo sem, no entanto, haver doença orgânica que explique seus sintomas. Se na época de Freud o protótipo dessas enfermidades era a histeria, na pós-modernidade elas se apresentam com inúmeras variações, entre as quais a fibromialgia é uma das mais conhecidas. Embora os sofrimentos e as dores de pacientes fibromiálgicos sejam reais, não é incomum que careçam de legitimidade ou sejam de algum modo desvalorizados quando abordados pelo modelo de atendimento médico centrado na doença.  Entendendo a fibromialgia como um campo problemático e complexo, o grupo de estudos Psicossomática Florianópolis propôs neste encontro um olhar ampliado sobre o tema, a partir de diálogos entre áreas de atuação diversas. Iniciamos com as falas de um médico, um fisioterapeuta e uma psicanalista, articulando seus pontos de vista e experiências clínicas a respeito de pessoas com fibromialgia. Em seguida, os demais participante...

Considerações sobre a formação do psicanalista

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Recentemente no Brasil, com o surgimento de uma proposta indecorosa para que fossem criados cursos regulamentados de “graduação em Psicanálise”, voltou à cena o debate público sobre a formação do psicanalista. Diversas instituições, respeitadas por sua tradição na transmissão da Psicanálise, uniram-se para publicar um manifesto contrário à tal proposta, embasadas pelos ensinos dos mestres Sigmund Freud e Jacques Lacan. Mas afinal, se não é através de uma graduação, como se forma um analista?  Penso que uma forma de iniciar a resposta dessa questão seja apresentando diferentes aspectos do psicólogo e do psicanalista, pois é comum as pessoas confundi-los, particularmente o público leigo. E talvez seja justamente essa confusão que leve alguns a terem a ideia equivocada de que seria necessário regulamentar a Psicanálise, tendo em vista que a Psicologia o é. Embora ambos, psicólogo e psicanalista, trabalhem em prol da saúde mental (e consequentemente também da saúde física), há algumas...

Psoríase na infância: como olhar além da pele?

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A pele é o maior órgão do corpo e tem grande importância para nossa fisiologia. A pele também demarca os limites entre "Eu" e "não Eu", e através dela expressamos diversos estados afetivos, como medo, prazer, raiva e vergonha. É fato, portanto, que não devemos negligenciar os aspectos psíquicos envolvidos nas doenças de pele quando desejamos trata-las intencionando a cura. Partindo dessa premissa, o encontro de Psicossomática Florianópolis disponível no vídeo a seguir propôs uma abordagem ampliada sobre crianças com psoríase, patologia de pele não raro estigmatizante. Convictos de que seu tratamento deve ir muito além da prescrição de corticoides, convidamos colegas interessados no debate dessa proposta a participarem de nosso evento. A abertura se deu com comentários de uma médica pediatra, Raquel Cristina Pelissari, e de uma psicanalista, Roberta Peixoto Manozzo, ambas compartilhando suas percepções e experiências sobre o tema. 0:00 - 10:51 -> apresentação: B...