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Psoríase na infância: como olhar além da pele?

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A pele é o maior órgão do corpo e tem grande importância para nossa fisiologia. A pele também demarca os limites entre "Eu" e "não Eu", e através dela expressamos diversos estados afetivos, como medo, prazer, raiva e vergonha. É fato, portanto, que não devemos negligenciar os aspectos psíquicos envolvidos nas doenças de pele quando desejamos trata-las intencionando a cura. Partindo dessa premissa, o encontro de Psicossomática Florianópolis disponível no vídeo a seguir propôs uma abordagem ampliada sobre crianças com psoríase, patologia de pele não raro estigmatizante. Convictos de que seu tratamento deve ir muito além da prescrição de corticoides, convidamos colegas interessados no debate dessa proposta a participarem de nosso evento. A abertura se deu com comentários de uma médica pediatra, Raquel Cristina Pelissari, e de uma psicanalista, Roberta Peixoto Manozzo, ambas compartilhando suas percepções e experiências sobre o tema. 0:00 - 10:51 -> apresentação: B...

Quando afetos alimentam gastrites

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Afeto é uma palavra cujo significado ordinário seria o sentimento terno que nutrimos por alguém, mas ela pode também ser utilizada para expressar, sem a pretensão de apresentar aqui uma erudita definição, aquilo que nos afeta. Deste segundo tipo de afeto, particularmente daqueles afetos que nos causam aflições, a psicanálise vem se ocupando desde os seus primórdios, quando Freud analisava, estudava e teorizava sobre casos de histeria.  Não costumam nos causar angústia os afetos atrelados a ideias prazerosas. Por exemplo, imaginemos como se afetou o apaixonado torcedor palmeirense ao ver seu time do coração fazer um gol importante, como aquele que o Palmeiras marcou contra o Santos nos últimos minutos da final da Libertadores 2020, valendo ao alviverde o título do torneio continental. Além disso, é relativamente simples reconhecermos ideias conscientes relacionadas a afetos desprazerosos. Para usar o mesmo exemplo futebolístico, pensemos como se afetou o torcedor aficionado pelo San...

Psicanálise e neurociências: um diálogo possível?

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Marcadas por significativos avanços do conhecimento neurocientífico, as últimas décadas propiciaram exames complementares cada vez mais reveladores sobre o complexo funcionamento do sistema nervoso e suas diversas relações com os demais sistemas orgânicos do corpo humano. Há quem advogue que essas fantásticas descobertas reforçam um determinismo biológico das doenças neurológicas e dos transtornos mentais, o que poria fim às ideias e teorias psicanalíticas. De outro lado, há quem argumente contra tal reducionismo, enfatizando que a condição humana escapa dos alicerces puramente biológicos e demonstrando que o progresso das neurociências confirma muitas das hipóteses de Freud, formuladas numa época em que os aspectos tecnológicos da Medicina eram certamente mais limitados. A proposta do encontro de Psicossomática Florianópolis registrado no vídeo a seguir foi justamente explorar a possibilidade de um diálogo entre esses dois campos de saberes: a Psicanálise e as Neurociências. Apostamos...

Uma breve crônica da medicina moderna

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“Doutor, eu posso te processar se você não pedir o exame pra mim.” Foi exatamente assim, em tom de ameaça, que uma mulher jovem, de 20 e poucos anos, falou comigo recentemente em consulta, quando inicialmente recusei solicitar uma ressonância magnética de crânio para ela. Esse caso me fez pensar e refletir sobre diversos assuntos. Boa oportunidade, portanto, para escrever e registrar algumas ideias. Vejamos. O exame mencionado, supostamente indicado por outro médico, segundo informou a jovem, seria para “investigar sequelas neurológicas da Covid-19”. No entanto, se a história é verídica, o colega sequer se deu ao trabalho de formalizar a solicitação, talvez por saber, em seu íntimo, que era absurda. Não porque sequelas neurológicas dessa doença inexistam, mas porque a mulher em questão apresentava inespecíficas e eventuais p arestesias (“formigamentos”) , queixas somáticas claramente incompatíveis com doença neurológica na ocasião, tendo em vista também que o exame físico era normal e ...

O que é a psicanálise?

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Não me parece uma tarefa simples responder à pergunta título deste artigo, mesmo para pessoas que já experimentaram o processo psicanalítico, se assim podemos chama-lo. Todavia, vejamos o que será possível dizer sobre a psicanálise sucintamente neste espaço, de modo a iluminar certos obscurecimentos para aqueles que a conhecem e torna-la menos infamiliar , usando um termo freudiano, aos que ainda sabem pouco a seu respeito, mas consideram nela mergulhar.  No início do século XX, mais exatamente em 1909, em conferência proferida nos Estados Unidos, o próprio Freud, em sua primeira e única viagem à América, denominou a psicanálise como um novo método de investigação e de cura . Embora o conceito de cura não seja exatamente psicanalítico, segundo as concepções contemporâneas da Psicanálise, Juan-David Nasio, em seu livro “Como trabalha um psicanalista?”, afirma que a análise produz efeitos de diminuição, e até de desaparecimento do sofrimento do paciente. São efeitos que se produzem e...

Em tempos de pandemia, nem só de coronavírus padecem os sujeitos

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Em meio à pandemia de coronavírus, diversas medidas foram adotadas com o objetivo de evitar a disseminação do microrganismo. Nos hospitais, logo na entrada estabeleceu-se um novo esquema de triagem, através do qual um enfermeiro questiona se o paciente possui algum sintoma respiratório, por exemplo, tosse, dor de garganta e/ou dispneia (falta de ar), e uma vez que o sujeito relate sentir um ou mais desses é imediatamente encaminhado para realizar a consulta médica numa ala separada das demais, destinada a receber apenas casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, como é conhecida a infecção causada pelo novo coronavírus. No entanto, nessa área, em tese contaminada e não raro temida, nem sempre chegam pessoas triadas adequadamente. Ilustrarei tal situação, de triagem inapropriada, contando o caso de Deise (nome fictício para uma pessoa real). Ela, uma mulher de 30 e poucos anos, chegou à ala Covid, onde eu atendia na ocasião, queixando-se de dores nas costas, que pioravam ao inspirar pr...

Angústia e pandemia

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Anguish , por August Friedrich Albrecht Schenck A obra “Anguish”, do artista August Friedrich Albrecht Schenck, revela uma estreita relação entre morte e angústia. A morte é uma situação de perda para a qual não há respostas prontas, como usualmente são as demais circunstâncias nas quais uma angústia avassaladora se impõe. De acordo com Lacan, no Seminário 10, a angústia é esse corte – esse corte nítido sem o qual a presença do significante, seu funcionamento, seu sulco no real, é impensável; é esse corte a se abrir, e deixando aparecer [...] o inesperado, a visita, a notícia [...]. A angústia não é a dúvida, a angústia é a causa da dúvida .  A morte, provavelmente o pedaço de real mais angustiante para a existência humana, frequentemente é esse inesperado, essa visita, essa notícia. A atual pandemia de coronavírus, por andar entrelaçada com a ideia da morte, angustia.  Entretanto, o fato de não se saber como ficará o mundo depois dos efeitos sociais e econômicos do...