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A trajetória e a importância de um grupo de estudos em Medicina Psicossomática

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A TRAJETÓRIA E A IMPORTÂNCIA DE UM GRUPO DE ESTUDOS EM MEDICINA PSICOSSOMÁTICA* autores: Bruno Guimarães Tannus Beatriz Manzan Dalla Vecchia Yuri Cordeiro Szeremata * trabalho apresentado originalmente no 19º Congresso Brasileiro de Medicina Psicossomática, ocorrido na cidade de Caxias do Sul-RS, em setembro de 2018, e premiado como melhor trabalho na modalidade apresentações orais. Introdução Atualmente o Hospital Governador Celso Ramos (HGCR) é um dos principais recursos de alta complexidade disponibilizado pelo sistema público de saúde na cidade de Florianópolis-SC. Além de receber pacientes encaminhados de outros serviços de saúde que necessitam suporte hospitalar, o HGCR também trabalha com “portas abertas”, acolhendo a população que busca espontaneamente atendimento de urgência. Ocorre, no entanto, que a maioria dos atendimentos dessa demanda espontânea não se configura, tecnicamente, situações graves sob a ótica médica. Porém, é fato que essas pessoas,...

Brigas de torcidas, carnavais e hospitais públicos

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Na obra “Moisés e o monoteísmo”, embora se dedique fundamentalmente à compreensão daquilo que mais tarde Lacan conceituaria como Nome-do-Pai, há um pequeno trecho em que Freud comenta especificamente sobre o ódio direcionado aos judeus. Nesses comentários podemos encontrar uma articulação relevante com o chamado narcisismo das pequenas diferenças. Falamos de narcisismo das pequenas diferenças, o que não quer dizer que os efeitos de tal narcisismo sejam pequenos ou invisíveis. Ao contrário, podem ser traumáticos, notáveis. O narcisismo em pauta, o das pequenas diferenças, remete à tendência de cada sujeito em se separar dos outros em função de diversidades menores, enaltecendo-as em detrimento das muitas semelhanças que existem entre ele, sujeito, e as demais pessoas. Pode-se verificar a mesma tendência também em grupos de sujeitos no tocante a outros grupos. Freud afirma, em sua obra supracitada, que um fenômeno de tal intensidade e permanência como o ódio do povo pelos judeu...

Pode haver amargura em meio à doçura do diabetes?

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Em algumas situações pode ser um tanto angustiante ser médico. Não é por não saber o que o protocolo indica prescrever, mas porque, apesar de segui-lo conforme preconizado, simplesmente não há uma resposta terapêutica no doente. Ao contrário, ele parece piorar. Serei mais específico para ilustrar o que estou dizendo e contarei brevemente uma história que poucos dias atrás gerou-me tal angústia, o caso do sr. Valter. Este, claro, é um nome próprio inventado, com o intuito de respeitar o sigilo médico ao qual tem direito o paciente real, mas asseguro-lhe, caro leitor, que os fatos não são meros devaneios de minha cabeça.   Valter é um homem que, não há muito tempo, ingressou na chamada terceira idade. Fora diagnosticado com diabetes antes disso, todavia não se pode dizer que “sofre” de diabetes, pois não se queixa de qualquer coisa sobre essa alteração metabólica glicêmica que um dia disseram-lhe ter. Na verdade, Valter não se queixa de quase nada, apesar de indubitavelmen...

A mulher que tentava engravidar

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Uma colega médica pediu opinião sobre um caso de paciente mulher, na ocasião com 32 anos de idade, que fora ao consultório queixando-se de que “tentava engravidar há 10 anos”. Casada há quase duas décadas, ainda sem filhos, a mulher buscava novamente ajuda médica para aquele que considerava seu grande problema. Outrora já fizera isso, inclusive submetendo-se a tratamentos indutores da ovulação, sem sucesso. Questionava então a colega na consultoria: qual seria o melhor tratamento para essa mulher que tenta engravidar? O marido da paciente apresentava espermograma normal, então a médica deduziu, talvez precipitadamente, que não seria ele o responsável pelo insucesso da tão sonhada gravidez. Quanto à  mulher cujo anseio era estar gestante, realizou previamente alguns exames de imagem (ultrassom e histerossalpingografia), a fim de investigar se possuía eventual anormalidade anatômica que a impedisse de engravidar. Seus ovários e úteros mostraram-se normais, exceto por uma única alte...

Obesidade e alopatia: retrato de uma utopia

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Muitas vezes a alopatia é cansativa. Ela cansa quando insiste em iludir as pessoas com promessas esdrúxulas para solucionar determinadas doenças, insolúveis por tal método. Em consequência, gera um trabalho hercúleo no consultório de quem se propõe alertar aqueles que embarcam na referida utopia; trata-se de algo penoso porque numa sociedade doente costuma-se aceitar prontamente os caminhos que se propõem cura-la facilmente de suas mazelas. Afinal, abrir mão desses atalhos implicaria encarar outras estradas, não livres de dores e sofrimento, que precisariam ser (re)construídas. Antes de prosseguirmos, convém esclarecer aos que não estão familiarizados com o termo, que alopatia significa um método de tratamento que emprega medicamentos, os quais, atuando no organismo vivo, objetivam provocar efeitos contrários aos da doença. Isto serve bem, e por tempo limitado, a um conjunto restrito de patologias, por exemplo, certas infecções. Para a maioria das doenças, no entanto, a alo...

O Caminho

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No caminho da medicina Já percorrendo-o Uma porta mostrou-se fechada Quase proibida Era a porta dos sintomas inexplicáveis Das doenças idiopáticas (que idiotice!) E por que não dizer A porta que pode explicar todas as nossas doenças O ser humano Demasiado humano Permanentemente em conflito Uma existência transitando entre polaridades Bati àquela porta Fui empurrado por aquele caminho Pela força do desejo de um outro Para depois encontrar o meu Entrei e fascinei-me Conheci um pouco da psicanálise Ainda não sei bem o que fazer Ser médico, analista ou ambos? Antes, questionar-me Não há caminho para voltar às sombras. Winding Road, by Raymond Murray

Suicídio na medicina

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Debatíamos recentemente num grupo de médicos sobre o triste fim que uma colega potiguar dera à própria vida, ao cometer suicídio. Junto da notícia do fatal incidente envolvendo aquela jovem médica, circulou a informação de que “ela lutava contra a depressão há algum tempo”. Um acontecimento realmente triste. Entretanto, falei aos colegas a respeito de certa tendência em se colocar alguém na posição de mera vítima de fatos externos, como se, em circunstâncias assim, nada fosse responsabilidade do sujeito e de suas escolhas. Naquela oportunidade diversos apontamentos sucederam-se à minha colocação. Tornou-se um debate rico, motivo pelo qual decidi registra-lo neste blog. A fim de preservar a identidade dos debatedores, utilizo apenas as iniciais de nossos nomes: G.K. - Que tipo de escolha pode garantir livrar uma pessoa de ser acometida por depressão maior e suas possíveis consequências? Pareceu-me ousada, para um médico, a afirmação do B.T.. Se entrarmos na seara espiritual, a qual ...