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O que faz um psicanalista?

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Falar sobre a formação de um psicanalista, partindo das especificidades da Psicanálise, passa certamente pelas características marcantes do tripé dessa formação, a saber, análise pessoal, supervisão e transmissão (ensino). Todavia, considerando que o tema já foi abordado neste blog , assim como tem sido, felizmente, debatido com bastante frequência pelos mais diversos psicanalistas e instituições dedicados a uma formação psicanalítica responsável, devidamente implicada e atravessada pelos princípios freudianos, minha ideia no presente artigo, ao buscar respostas para a pergunta com a qual o intitulei, é trabalhar sobre um aspecto da formação que habitualmente fica em suas entrelinhas.  O que faz, afinal, um psicanalista? De início, constatamos que há duas leituras possíveis para nossa pergunta: uma leitura mais óbvia, que trataria diretamente do ofício do psicanalista, ou seja, do que ele faz em sua prática, de como ele atua, e outra leitura, na qual pretendo me aprofundar aqui, qu...

Mitos e verdades sobre a terapia psicanalítica

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Muitas pessoas têm dúvidas e desconfianças relacionadas à psicanálise, algumas vezes simplesmente por medo de algo que desconhecem, noutras em consequência de depoimentos falaciosos sobre esse tipo de abordagem, geralmente proferidos por quem nunca viveu a experiência. Minha proposta no presente artigo é esclarecer pontos importantes relativos à terapia psicanalítica, utilizando uma linguagem fácil, pensando também em acessar quem é leigo ou iniciante no assunto. Ao terminar sua leitura, fique à vontade para usar o espaço dos comentários e me contar se consegui atingir o objetivo. Vamos começar pelo título escolhido, que traz propositalmente uma pequena polêmica: a psicanálise é ou não é um tipo de terapia? Em diversos de seus escritos, Freud disse que sim. Considerando que foi ele quem criou a psicanálise, penso que não seja necessário nos debruçarmos tanto sobre essa questão. Respeito os colegas que preferem dizer que a psicanálise é outra coisa (práxis, método, técnica, processo, ex...

Um nome para a dor: fibromialgia

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Há bastante tempo a Medicina se depara com o desafio de enfermidades que afetam o corpo sem, no entanto, haver doença orgânica que explique seus sintomas. Se na época de Freud o protótipo dessas enfermidades era a histeria, na pós-modernidade elas se apresentam com inúmeras variações, entre as quais a fibromialgia é uma das mais conhecidas. Embora os sofrimentos e as dores de pacientes fibromiálgicos sejam reais, não é incomum que careçam de legitimidade ou sejam de algum modo desvalorizados quando abordados pelo modelo de atendimento médico centrado na doença.  Entendendo a fibromialgia como um campo problemático e complexo, o grupo de estudos Psicossomática Florianópolis propôs neste encontro um olhar ampliado sobre o tema, a partir de diálogos entre áreas de atuação diversas. Iniciamos com as falas de um médico, um fisioterapeuta e uma psicanalista, articulando seus pontos de vista e experiências clínicas a respeito de pessoas com fibromialgia. Em seguida, os demais participante...

Considerações sobre a formação do psicanalista

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Recentemente no Brasil, com o surgimento de uma proposta indecorosa para que fossem criados cursos regulamentados de “graduação em Psicanálise”, voltou à cena o debate público sobre a formação do psicanalista. Diversas instituições, respeitadas por sua tradição na transmissão da Psicanálise, uniram-se para publicar um manifesto contrário à tal proposta, embasadas pelos ensinos dos mestres Sigmund Freud e Jacques Lacan. Mas afinal, se não é através de uma graduação, como se forma um analista?  Penso que uma forma de iniciar a resposta dessa questão seja apresentando diferentes aspectos do psicólogo e do psicanalista, pois é comum as pessoas confundi-los, particularmente o público leigo. E talvez seja justamente essa confusão que leve alguns a terem a ideia equivocada de que seria necessário regulamentar a Psicanálise, tendo em vista que a Psicologia o é. Embora ambos, psicólogo e psicanalista, trabalhem em prol da saúde mental (e consequentemente também da saúde física), há algumas...

Psoríase na infância: como olhar além da pele?

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A pele é o maior órgão do corpo e tem grande importância para nossa fisiologia. A pele também demarca os limites entre "Eu" e "não Eu", e através dela expressamos diversos estados afetivos, como medo, prazer, raiva e vergonha. É fato, portanto, que não devemos negligenciar os aspectos psíquicos envolvidos nas doenças de pele quando desejamos trata-las intencionando a cura. Partindo dessa premissa, o encontro de Psicossomática Florianópolis disponível no vídeo a seguir propôs uma abordagem ampliada sobre crianças com psoríase, patologia de pele não raro estigmatizante. Convictos de que seu tratamento deve ir muito além da prescrição de corticoides, convidamos colegas interessados no debate dessa proposta a participarem de nosso evento. A abertura se deu com comentários de uma médica pediatra, Raquel Cristina Pelissari, e de uma psicanalista, Roberta Peixoto Manozzo, ambas compartilhando suas percepções e experiências sobre o tema. 0:00 - 10:51 -> apresentação: B...

Quando afetos alimentam gastrites

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Afeto é uma palavra cujo significado ordinário seria o sentimento terno que nutrimos por alguém, mas ela pode também ser utilizada para expressar, sem a pretensão de apresentar aqui uma erudita definição, aquilo que nos afeta. Deste segundo tipo de afeto, particularmente daqueles afetos que nos causam aflições, a psicanálise vem se ocupando desde os seus primórdios, quando Freud analisava, estudava e teorizava sobre casos de histeria.  Não costumam nos causar angústia os afetos atrelados a ideias prazerosas. Por exemplo, imaginemos como se afetou o apaixonado torcedor palmeirense ao ver seu time do coração fazer um gol importante, como aquele que o Palmeiras marcou contra o Santos nos últimos minutos da final da Libertadores 2020, valendo ao alviverde o título do torneio continental. Além disso, é relativamente simples reconhecermos ideias conscientes relacionadas a afetos desprazerosos. Para usar o mesmo exemplo futebolístico, pensemos como se afetou o torcedor aficionado pelo San...

Psicanálise e neurociências: um diálogo possível?

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Marcadas por significativos avanços do conhecimento neurocientífico, as últimas décadas propiciaram exames complementares cada vez mais reveladores sobre o complexo funcionamento do sistema nervoso e suas diversas relações com os demais sistemas orgânicos do corpo humano. Há quem advogue que essas fantásticas descobertas reforçam um determinismo biológico das doenças neurológicas e dos transtornos mentais, o que poria fim às ideias e teorias psicanalíticas. De outro lado, há quem argumente contra tal reducionismo, enfatizando que a condição humana escapa dos alicerces puramente biológicos e demonstrando que o progresso das neurociências confirma muitas das hipóteses de Freud, formuladas numa época em que os aspectos tecnológicos da Medicina eram certamente mais limitados. A proposta do encontro de Psicossomática Florianópolis registrado no vídeo a seguir foi justamente explorar a possibilidade de um diálogo entre esses dois campos de saberes: a Psicanálise e as Neurociências. Apostamos...