Postagens

Testosterona, Viagra... Onde está o homem impotente?

Imagem
Quando um homem se sente impotente, de fato, ele se sente. A impotência sexual é um estado do psiquismo, muito antes de ocasionar qualquer alteração hormonal, a qual, afinal, nem sempre acontece. Claro, em alguns casos a referida condição psíquica pode cursar também com deficiência da testosterona, reconhecida por muitos como o hormônio masculino responsável pela potência sexual. Embora a deficiência de testosterona sérica não seja causa necessária nem suficiente para que um homem tenha dificuldade de ereção, essa associação entre o hormônio e a potência está algo impregnada no imaginário coletivo, levando diversas pessoas que sofrem de disfunção sexual a creditarem ao tratamento hormonal a solução para seus problemas. Todavia, não costuma ser a testosterona tratamento pra muita coisa. A bula da testosterona é muito clara quanto à sua indicação apenas no tratamento de reposição hormonal em homens portadores de condições associadas com hipogonadismo primário e secundário, tanto congên...

Antidepressivos, por que os querem tanto?

Imagem
Os antidepressivos são psicofármacos úteis em determinados contextos clínicos, entretanto não há como negar que eles têm sido excessivamente prescritos. De quem é a responsabilidade pelo crescente número de prescrições de tais drogas, observado nos últimos anos? Dos médicos? Da indústria farmacêutica? Dos próprios pacientes, sentindo-se incapazes de lidar com suas emoções e querendo uma fuga rápida e artificial de seus problemas? Provavelmente os responsáveis são todos os citados, cada um com sua parcela de “contribuição”. Boa parte dos médicos que clinica tem dificuldade em ouvir seus pacientes. Certa vez demonstrou-se que, durante uma consulta médica, era de apenas 18 segundos o tempo médio para que o profissional fizesse a primeira interrupção na fala do paciente que começava a discorrer sobre suas queixas. Nem os médicos cirurgiões, com o devido respeito aos colegas, deveriam ser tão precipitados nessa interrupção. A impaciência de muitos médicos frente a seus pacientes, som...

Hipertrofia de adenoides: uma defesa exagerada

Imagem
Um menino de 4 anos de idade se apresenta com respiração bucal predominante. Os pais observam que ele ronca muito e dorme com a boca aberta, algo que favorece infecções de repetição nas vias aéreas. Preocupados, vão à procura de ajuda médica e logo na segunda consulta, frente ao resultado de uma radiografia do cavum do filho, lhes é sugerida a adenoidectomia (retirada cirúrgica das adenoides) como promessa de solução para os problemas apresentados. Será mesmo? Avaliar e tratar uma criança com as características descritas acima por certo não é uma tarefa tão simples como muitos pais e médicos gostariam. Implica investigar o desenvolvimento neuropsicomotor e também o contexto familiar no qual o paciente está inserido, pois dificuldades dos pais sempre reverberam sobre os sintomas de seus filhos. Não raro a adenoidectomia configura-se uma mutilação desnecessária, pois seus benefícios são bastante questionáveis, embora muitos otorrinolaringologistas provavelmente se apressem em dizer o c...

Ritalina, crianças zumbis e a morte da criatividade

Imagem
Há quem não veja grandes problemas em medicar crianças com Ritalina ® (metilfenidato), embora se trate de uma droga da família das anfetaminas, com mecanismo de ação cerebral similar ao da cocaína. Não é pequena a lista dessas pessoas que aprovam o uso da ritalina. Incluem-se muitos médicos, pedagogos e, principalmente, pais que se dizem dispostos a fazer “tudo pelo bem de seus filhos”, menos a entender aquilo que o comportamento perturbador reflete e a assumir seu quinhão de responsabilidade frente à situação. Entre os médicos que prescrevem ritalina, há certo consenso em dizer que a droga estaria bem indicada para tratar o famigerado transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Este transtorno, entretanto, pode ser considerado uma doença fabricada e excessivamente diagnosticada. Não estou dizendo que o TDAH inexiste, pois é possível apresenta-lo como síndrome clínica na qual se observam determinados comportamentos, contudo seria um disparate científico categ...

Aspectos psicossomáticos da obesidade

Imagem
Tem-se fome de quê?  A obesidade é uma doença de múltiplas facetas. Não por acaso, costuma ser frustrante restringir a explicação dessa condição a uma mera questão de desequilíbrio energético entre calorias ingeridas e gastas pelo corpo. Embora a alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos sejam ferramentas terapêuticas essenciais para a redução do peso corporal, os aspectos emocionais envolvidos na obesidade também demandam bastante atenção quando se almeja melhores resultados de seu tratamento. Os objetivos desta webpalestra são identificar tais aspectos emocionais e, pautando-se na medicina psicossomática, apresentar métodos profissionais para abordar o psiquismo dos pacientes obesos.

A direita política e as somatizações sem lesão de órgão

Imagem
Somatização sem lesão de órgão pode ser um termo estranho para muita gente, mas é algo que todos conhecemos. Trata-se do nome dado à ocorrência de sintomas corporais ( sôma  em grego = corpo) sem que haja uma doença física que os explique adequadamente, tomando por doença física aquela que seja reconhecível por meio de exames médicos ou complementares (laboratoriais, de imagem, etc.). Tal situação ocorre, na verdade, todos os dias, com qualquer pessoa, em graus variados. Grande parte das vezes sequer nos preocupamos com tais somatizações, pois as entendemos como algo passageiro. No entanto, também é bastante frequente que pessoas decidam procurar o médico para esclarecimentos sobre tais sintomas. Por definição, tudo aquilo que se manifesta no corpo é somatização. Um dos pilares da Medicina Psicossomática é a premissa de que todas as somatizações são manifestações psíquicas inconscientes no corpo, ou seja, revelam distúrbios inconscientes através do corpo. Parte importante de ...

Constipação: uma abordagem em perspectiva integral

Imagem
A constipação é um sintoma relativamente comum, popularmente conhecido como prisão de ventre. Pode estar presente em distúrbios funcionais do sistema digestivo e também em doenças organicamente evidenciáveis. O objetivo desta webpalestra é propor uma abordagem médica que leva em consideração não apenas a semiologia convencional para os pacientes constipados, mas também as questões inconscientes que podem representar o sintoma. Desta forma, além de indicar tratamento de alívio para a constipação, o profissional de saúde poderá ajudar o paciente a encontrar sua cura.