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As dores e as cabeças

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Não é pequeno o número de pessoas que sofrem cronicamente com dores de cabeça, também chamadas cefaleias. Boa parte dessas pessoas passam algum tempo livres de tais dores, mas rotineiramente, às vezes mais de uma vez na mesma semana, voltam a senti-las. Esse tipo de cefaleia não costuma decorrer de lesões estruturais intracranianas, ou seja, a cabeça dói, mas não há nada físico que explique a dor;  denomina m-se assim cefaleias primárias, cujas representantes principais são as enxaquecas (migrâneas) e as cefaleias tensionais. Quando procuram ajuda médica, a primeira coisa que as pessoas com dores de cabeça querem é receber algo que faça cessar a sensação desagradável, o mais breve possível. Os médicos costumam oferecer-lhes toda sorte de analgésicos e drogas "profiláticas" para a finalidade desejada. Porém, é seguro afirmar que nenhuma dor de cabeça se cura através do uso de medicamentos. Embora muitas vezes necessários, os analgésicos são meros alentos; deve haver cl...

Desprescrição de medicamentos, passaporte para a vida

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“Medicamentos prescritos são a terceira causa de morte no mundo, depois das doenças cardíacas e do câncer.” Esta afirmação de Peter C. GØtzsche pode surpreender muitas pessoas em um primeiro momento. Mas hoje vou apresentar-lhes a história do senhor Galileu (nome fictício), que, aos 87 anos de idade, corre um grande risco de sucumbir devido ao uso inapropriado de medicamentos, ilustrando bem a veracidade do que foi dito acima.  Apesar da avançada idade, Galileu apresenta boa cognição e tem poucos diagnósticos de condições crônicas de saúde (apenas hipertensão arterial e diabetes). Ele nunca sofreu eventos cardiovasculares, tais como infarto agudo do coração ou acidente vascular cerebral (AVC). Um dos pontos mais difíceis para sua saúde é o fato de atualmente ser ele, um idoso quase nonagenário, o principal cuidador da esposa, que sofre de demência de Alzheimer e já se encontra em situação extremamente fragilizada. Não é difícil compreender o tamanho do problema. Segundo a...

Hipertensão, edema e proteinúria na gravidez: aspectos importantes no pré-natal

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O cuidado pré-natal é realizado com o objetivo principal de reduzir riscos à saúde da gestante e do bebê. Nesse acompanhamento é fundamental executar o manejo adequado das síndromes hipertensivas na gestação, tendo em vista que elas representam a principal causa de mortalidade materna no Brasil, e que também podem afetar negativamente o feto. Apesar dos importantes problemas relativos à hipertensão que ocorre durante a gestação, a ciência médica convencional, que prioriza a objetividade, tem muitas dúvidas sobre sua etiologia. Porém, quando nos colocamos dispostos a compreender os aspectos subjetivos desse fenômeno, boa parte das questões pode ser esclarecida. A webpalestra disponível no vídeo a seguir visa apresentar princípios essenciais para o manejo da hipertensão arterial na mulher gestante, primando por uma abordagem integral.

A saúde mental além dos psicofármacos

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Alguns estudiosos advogam que a psiquiatria está em crise. Esta seria decorrente da busca incessante de muitos colegas da área em categoriza-la como uma disciplina essencialmente biomédica. Nesta lógica, as doenças de cunho psiquiátrico poderiam ser explicadas exclusivamente por distúrbios neuroquímicos cerebrais e, portanto, o pilar de seu tratamento seria a prescrição de medicamentos psicotrópicos, os quais atuam especialmente no sistema nervoso central. Porém, abordar a saúde mental sob uma ótica predominantemente cartesiana, além de não favorecer a cura das pessoas com problemas psiquiátricos, pode leva-las a uma prisão denominada medicalização da vida. Se nos propomos a falar sobre saúde na perspectiva da integralidade, é essencial refletirmos sobre a crise mencionada. Somente seu entendimento nos dará condições de supera-la. A webconferência que pode ser acessada no link do vídeo a seguir pretende motivar todas as pessoas que desejam se tornar agentes da mudança de ...

Colesterol: da histeria coletiva às bases de um negócio bilionário

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Uma colega de profissão solicitou-me a indicação de artigo ou texto sobre dislipidemias (problema popularmente conhecido como colesterol alto), a fim de que ela pudesse se atualizar no assunto. Disse-me que o último texto por ela lido acerca do tema fora a IV Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose . Respondi que eu poderia indicar-lhe a quinta diretriz, já publicada, mas que não o faria, pois entendo que, semelhantemente às  diretrizes que a precederam, houve  financiamento da indústria farmacêutica; portanto, caso a colega optasse por lê-la, sugeri que mantivesse aguçado senso crítico aos conflitos de interesse escusos ali presentes. Como alternativa, recomendei-lhe dois livros, recentemente traduzidos para o português, os quais lhe proporcionariam uma visão mais clara e imparcial sobre o colesterol alto, entre outros temas. São e Salvo: E livre de intervenções médicas desnecessárias (de autoria de Juan Gérvas e Mercedes Pérez Fernández) e ...

A gripe e seus mitos

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O inverno vem chegando... E a estação fria traz consigo um enredo que alimenta muita gente com preocupações algo demasiadas sobre a gripe, especialmente no tocante ao uso de medicamentos e vacinas contra essa infecção virótica. Comecemos a pensar pela seguinte questão: gripe mata? Sim, gripe provocada pelo vírus influenza (em seus diversos subtipos, incluso o H1N1) pode matar, mas isto ocorre em um pequeno percentual, pouco maior que 1% dos casos. Este número é facilmente comprovável. Basta você, caro leitor, recordar quantas pessoas conhece que faleceram por gripe. Provavelmente você se lembrará de pessoas que morreram de infarto do coração, AVC, câncer, acidentes de trânsito, homicídios ou até por outros tipos de infecções que não a gripe, mas terá dificuldade de identificar alguém que morreu de gripe, pois isto é um evento raro. No entanto, forças “ocultas” (nem tão ocultas assim) querem fazer-nos crer que a gripe é um grande perigo. Querem vender-nos um medicamento chamado osel...

O lado obscuro do outubro rosa

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A mamografia de rastreamento para câncer de mama é um procedimento radiológico executado em mulheres assintomáticas e com exame clínico das mamas dentro do que se considera normal. Estas mulheres, especialmente no mês de outubro, são bombardeadas com a campanha de “combate ao câncer de mama”, a qual, não raro, impregna o senso comum com a crença de que a mamografia seria a solução para essa doença. Neste artigo pretendo convidar os leitores, particularmente mulheres alvo da referida campanha, a uma breve reflexão sobre o tema, com informações relevantes antes de tomarem uma decisão automática de se pintarem com a cor rosa. Sem me aprofundar desta vez sobre a questão de que combater qualquer doença é algo suicida a priori , no tocante aos exames preventivos de rastreamento para cânceres penso que individualizar as situações seja a opção mais desejável, racional e sensata, explicando abertamente aos pacientes sobre as incertezas científicas relativas ao rastreio, seja do câncer de mama...